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Do Metrópoles

Casos como os homicídios da estudante Jéssica Leite, da jovem Ana Rita da Silva e do vigilante Kássio de Souza continuam em aberto

A onda de violência que tem atingido o Distrito Federal nas últimas semanas é apenas uma faceta da crise que assola a segurança pública na capital, principalmente após a deflagração da Operação Legalidade pela Polícia Civil. Famílias atingidas por homicídios que causaram comoção em Brasília ainda aguardam a conclusão das investigações e a punição aos responsáveis, meses após a morte de entes queridos.

“A sensação que fica é de descaso”, desabafa Mônica Santos, mãe da estudante Jéssica Leite, que foi assassinada com uma facada na EQNL 21/23, em Taguatinga. O crime completou cinco meses no último dia 14 e permanece sem solução. A mãe afirma que o contato mais recente que teve com a Polícia Civil foi há cerca de uma semana, quando investigadores pediram um número presente na caixa do celular da jovem, roubado no dia do crime.

Mônica afirma que, além dessa interação, os policiais não oferecem novidades sobre a investigação há meses. “Os agentes me falaram que houve mudanças na delegacia e a equipe responsável pelo caso agora é completamente diferente da que começou. Parece que estão reiniciando tudo”, lamenta. O caso está sendo investigado pela 17ª Delegacia de Polícia (Taguatinga Norte).

A situação é parecida com a vivida pela família de Ana Rita Graziela Rodrigues da Silva. A jovem foi morta com dois tiros na cabeça durante um assalto à serralheria da família, no dia 21 de outubro, no Recanto das Emas. O caso é investigado pela Delegacia de Roubos e Furtos (DRF). No entanto, a família afirma que ainda não foi chamada para prestar depoimento.

Os parentes também conseguiram imagens de câmeras de segurança que mostram o momento em que os bandidos chegam à loja onde o crime foi cometido. Mas segundo a família, a polícia não demonstrou interesse em analisar as filmagens.

“A angústia é enorme aqui em casa. Minha esposa passa mal diariamente por ter perdido sua grande companheira. Tem horas que eu nem sei o que dizer para confortá-la”
Leandro Alves, metalúrgico, padrasto de Ana Rita

Vigilante assassinado e cadáver na mala
A demora nas investigações é ainda mais grave para a família do vigilante Kássio Enrique Ribeiro de Souza, morto durante uma festa no Gama. O crime ocorreu no dia 23 de outubro e o responsável já foi identificado como o policial militar do estado de Goiás Yuri Rafael Rodrigues da Silva Miranda. No entanto, o inquérito continua em aberto e a família se sente ameaçada.

A mãe de Kadu — como era conhecido por parentes e amigos —, Iberenice Ribeiro, reclama da atuação policial. “Estou muito insatisfeita. Eu estava lá na hora do crime e fui à delegacia, mas os agentes não quiseram tomar meu depoimento. Eles também nem fizeram o teste de bafômetro no suspeito, mesmo com ele apresentando sinais claros de embriaguez”, afirma.

Outro caso que continua sem respostas é a morte de Ivonilson Menezes da Cunha, 39 anos, encontrado dentro de uma mala no Lago Paranoá, em 27 de outubro, com sinais de asfixia. Apesar das suspeitas de que o crime seja uma vingança, pois o homem já havia sido preso por pedofilia, até hoje ninguém foi preso.

Questionada sobre o número de investigações de homicídios em aberto no Distrito Federal, a Secretaria de Segurança do DF afirmou que só mantém dados sobre os crimes resolvidos. A pasta diz ainda que não arbitra sobre o trabalho das forças de segurança.

TEMPO
Já a Polícia Civil do DF afirmou, por meio de nota, que “as investigações complexas normalmente demandam mais tempo. O mais importante é que o trabalho seja bem feito e alcance a elucidação de cada caso”. Em relação ao impacto da Operação Legalidade no andamento das apurações, a PCDF alegou que “a mobilização afetou as investigações, mas, apesar dos percalços, os casos graves estão sendo investigados e serão resolvidos no tempo certo”.

O presidente do Sindicato dos Policiais Civis do Distrito Federal (Sinpol-DF), Rodrigo Franco, admite que o movimento da categoria interferiu no andamento de investigações. No entanto, afirma que, caso mais delegacias sejam reabertas, o problema deve se tornar ainda maior.

“Claro que há reflexos no momento em que há uma falta de efetivo muito grande. Hoje, agentes são retirados das seções de investigação para fazerem plantões nas delegacias, o que prejudica essas apurações. Se mais delegacias forem reabertas com o número de policiais atual, esse processo vai se tornar ainda mais recorrente e a situação deve piorar”, diz Rodrigo Franco.

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